"Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo". (João 16.33)

Ritmo

Eu ouvi alguém dizer que ao chegar no estacionamento, a melhor vaga ficou livre e isso foi um sinal de que Deus estava com ele (de um jeito: “Graças a Deus achei uma vaga”).
Depois, duas semanas atrás, ouvi uma conversa sobre duas pessoas doentes. Uma se curou, e eles estavam entusiasmados sobre como Deus foi importante na cura daquele enfermo e eu pensei, “E a outra pessoa? Não se curou. E Deus? Por que Deus não interviu?”
E na noite passada, ouvi alguém dizer que foi a uma loja no shopping, e viu algo que queria e estava em liquidação, e ele disse, “Nossa, queria tanto isso, graças a Deus achei. Isso prova como Deus é bom.”

Se Deus pode ajudar alguém com liquidações, porque Deus não ajuda com coisas que parecem mais importantes, como terremotos, inanição ou doenças?

Quando você pensa em Deus, o que surge na sua mente? Um homem idoso com uma longa barba branca, atrás de uma cortina, mexendo em alavancas, curando algumas pessoas e achando vagas para o carro de outras?
Para muitas pessoas, o conceito de Deus é erigido em um ser acima de tudo, um Deus que está em outro lugar, um Deus que criou o mundo mas se retira para observá-lo de um ponto de vista vantajoso. Um Deus que está lá e de vez em quando vem aqui.
O problema com esse conceito é que você tem de provar que esse Deus existe. E nós partimos da vida real, dessa existência, que todos concordam que existe, e as pessoas argumentam e discutem se há um Deus em algum lugar relacionado a tudo isso. Mas os escritores da Bíblia parecem menos interessados em provar a existência de Deus, e mais interessados em falar da natureza de Deus.
Como no livro do Êxodo, Moisés queria saber o nome de Deus, e Deus responde: “EU SOU”. E depois, Deus lembra a Moisés que quando ele ouviu a voz de Deus, não viu forma nem figura. Afinal, Deus está além da compreensão de nossas mentes.

Como é ter uma relação pessoal com esse tipo de Deus? Afinal, é algo difícil de compreender. Eu creio que Deus escuta, Deus se importa e participa, mas o conceito de relação é difícil de entender. E como é amar esse tipo de Deus? O que significa? E como o ama?

Quando penso em Deus, eu ouço música. É uma canção que me comove. Tem melodia e balanço. Tem um certo ritmo. As pessoas ouvem essa canção há milhares de anos em todos os continentes, culturas e épocas. As pessoas ouvem essa canção e a acham cativante, e querem ouvir mais.
Sempre haverá pessoas que dizem não haver canção, que negam a música, mas ela continua tocando. Jesus veio para nos mostrar como viver em sintonia com a canção. Como se fosse o caminho, a verdade e a vida. Não é uma declaração sobre uma religião ser melhor que todas as outras. Jesus não pretendia criar uma nova religião. Ele veio para nos mostrar a realidade mais crua. Ele veio para nos mostrar como as coisas são. Afinal, Jesus é como Deus ao assumir carne e osso, e em generosidade e compaixão, ele é como Deus. Na revelação da verdade, é igual a Deus. No amor, perdão e sacrifício, é igual a Deus. Deus é assim. É isso que a canção mostra.
A canção que toca o tempo todo ao nosso redor. A canção está em todos os lados. Está escrita nos nosssos corações e todos tocam essa canção.
A questão não é se você está tocando a canção, a questão é, “Você está em sintonia?“.
É como diz no Livro dos Atos, diz que Deus nos deu vida, respiração e todas as coisas. Deus é generoso. Quando eu sou egoísta e mesquinho, e me recuso a dar, eu estou fora de sintonia com a canção.

Em uma das cartas de João, ele diz que Deus é amor.

Amor incondicional e irrestrito.

Quando você vê alguém se sacrificar por outro, pelo bem-estar do outro, ele está sintonizado. Isso é inspirador e poderoso. Ele está afinado com a canção.
Algumas pessoas entendem de música. Eles entendem de tom e escala, de teclas e instrumentos, e talvez ouçam coisas que os outros não percebam. Eles ouvem sutilezas e nuanças que os outros talvez não percebam. Eles apreciam detalhes que outros não veem, mas também é possível envolver-se tanto no aspecto técnico na canção que você perde a apreciação pura e simples da canção. Há pessoas que falam como se soubessem tudo de ser cristão, mas parecem estar fora de sintonia. E há outros que diriam que não sabem tanto sobre a fé cristã, mas parecem estar sintonizados com a canção. Conheci muitas pessoas que debatem o significado da relação com Deus, mas não perderam a fé no amor, na esperança, na verdade, na compaixão, justiça e generosidade. Talvez você sinta que não tem uma relação com Deus pela sua opinião quanto a isso, quanto a tudo que ouviu sobre o que é e o que não é. E um Deus infinito, maciço, meio que invisível, é difícil de ser compreendido por nossas mentes, mas… verdade, amor, graça, misericódia, justiça, compaixão, a maneira que Jesus viveu, isso eu posso ver e sentir. Eu posso entender isso. Posso me identificador com isso. Posso tocar essa canção.

Que você entenda que a canção está escrita no seu coração. E que você viva em sintonia com a canção, em sintonia com o Criador do Universo, e que você perceba que tem uma relação com o Deus vivo.

Comentários a: "Ritmo" (2)

  1. Rita de Cássia said:

    Uma bela maneira de se descrever a fé em Deus, entrando em sintonia com seus propósitos, e no que há de melhor em nós mesmos.

    • Joao Paulo Cheab said:

      Muito obrigado pelo comentário. A intenção foi justamente essa. =D

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